06/12/2012 | Sandra Vaz de Lima

A importância do teatro na educação infantil e ensino fundamental (séries iniciais)

Historicamente o homem sempre teve a necessidade de representar, demonstrando suas tristezas, angústias, alegrias, no início para cultuar deuses e gradativamente se tornou uma atividade cultural encenada por muitos povos, e assim o teatro começou a fazer parte da nossa cultura.

Desde os tempos de Platão o teatro vem sendo abordado com a intenção de educar, sendo estudado e centrado com valores didáticos, com intuito formador da personalidade do homem, neste período foi o único prazer literário disponível.

A palavra "teatro" deriva dos verbos gregos "ver, enxergar", lugar de ver, ver o mundo, se ver no mundo, se perceber, perceber o outro e a sua relação com o outro. Assim, pedagogicamente o teatro busca mostrar o comportamento social e moral, por meio do aprendizado de valores e pelo bom relacionamento com as pessoas.

Reverbel (1997) destaca que o teatro tem a função de divertir instruindo é uma verdade que ninguém pode contestar, pois seria negar-lhe a própria história.

Sendo assim, o trabalho com Teatro na instituição escolar tem uma importância fundamental na educação: o aluno aprende a improvisar, desenvolve a socialização, criatividade, coordenação, memorização, oralidade, leitura pesquisa, criatividade, expressão corporal, a impostação de voz, vocabulário, habilidades para as artes plásticas (pintura corporal, confecção de figurino e montagem de cenário), trabalha o emocional, cidadania, religiosidade, ética, sentimentos, interdisciplinaridade, propicia o contato com obras clássicas, fábulas, reportagens.

O teatro também permite que o professor perceba traços da personalidade, comportamento individual ou em grupo, bem como seu desenvolvimento, oportunizando um melhor direcionamento pedagógico, onde na realização de cenas dramáticas trabalha-se faz de conta, imaginação, interpretação.

Conforme Reverbel (1997) o objetivo na escola não é ter um aluno-autor, um aluno-pintor ou um aluno-compositor, mas sim dar oportunidades a cada um de descobrir o mundo, a si próprio e a importância da arte na vida humana.

Dessa forma, a contribuição do teatro no desenvolvimento da criança seja na Educação Infantil ou Ensino Fundamental (séries iniciais), é grandiosa, ajuda o aluno no desenvolvimento de suas próprias potencialidades de expressão e comunicação, bem como proporciona o conhecimento de outro gênero, além da prosa e da poesia e favorece o processo de produção coletiva do saber cultural tanto no valor estético como educativo.

 

TIPOS E FORMAS DE TEATRO

 

Teatro de Máscaras: desde a Pré-História os homens usam máscaras, sejam nos rituais religiosos, esculpidas em madeira, pintadas em couro e adornos de penas, ou feitas de conchas e madeira, ou desenhada no próprio rosto. Os alunos gostam muito de vestir máscaras, principalmente de super-heróis, é importante deixar que eles confeccionem as suas máscaras, pode-se usar sacos de papel, cartolinas, tecidos, tintas, pratos de papelão, jornal, material de sucata, etc., a atividade é prazerosa, sendo uma oportunidade de criar e recriar sua própria dialética, uma vez que promove a recreação, o jogo, a socialização, melhoria na fala da criança e desinibição.

 

Teatro de Sombras: é uma arte muito antiga, originária da China e se espalhou pelos países da Europa. Este tipo de teatro ainda é pouco conhecido no Brasil. É uma atividade muito divertida que estimula a criatividade da criança. Para sua realização é necessário: uma fonte luminosa (de 40 ou 60 watts, transparentes, dentro de latas de óleo para possibilitar a concentração da luz), uma tela (ou um lençol bem esticado) e silhuetas para serem projetadas (fantoches de varas, mãos que formam figuras de animais, proporcionando o desenvolvimento da criatividade e da motricidade, importante no período da pré-escola e da alfabetização.

 

Teatro de Fantoches: tem sua origem na Antigüidade, quando modelavam-se bonecos no barro, conseguindo mais tarde a articulação da cabeça e membros para fazer representações com eles. No Nordeste apareceu principalmente em Pernambuco, onde a tradição permanece até os dias de hoje. Somente em meados do século XX é que consolidou fortemente em nosso país. Para a confecção são utilizados: sucata, tachinhas, fita crepe, latas, sacos, durex, rolos de papel higiênico, tintas. Também pode utilizar luvas, pintura em meias e mãos com caneta esferográfica, carvão, tintas especiais, com acessórios enfeitando as mãos e os dedinhos das crianças. Como: lã, chapéu, meias, penas. Faz-se necessário que os alunos explorem todos os movimentos dos dedos, mãos e braços, criando uma atmosfera do conhecimento do próprio corpo, utilizando também as músicas populares, folclóricas ou clássicas.

 

Teatro de Varas: é uma variação do teatro de fantoches, onde estes são sustentados por uma vara, podendo ser confeccionados com cartolinas, bolinhas de isopor, de papel, colher-de-pau, palitos de churrasco, garfos vestidos com roupas de pano, palitos de picolé, copinhos de plástico sustentados por palitos. O fantoche de cone é um tipo de boneco muito encontrado em feiras livres e circos populares, podendo representar uma figura humana ou um animal, basta segurá-los pela vareta e dar-lhes o movimento de acordo com a situação.

 

Pantomima: é um jogo teatral realizado por gesto. Podemos exemplificar essa afirmação através deste exemplo: a primeira atividade proposta foi a de arrumar uma casa; os elementos foram entrando e ordenando aos cantos da cada, e ao final de cada um estava fazendo alguma coisa- ou lendo um livro, ou cozinhando, ou escutando música. Utiliza-se: caricaturas, dramatização (Charles Chaplin), uso de características fortes sem uso de palavras, às vezes tem um contexto social. Objetiva o divertimento, a socialização, a coordenação motora e aprender a usar o corpo como um todo.

 

Auto: uma peça teatral em um só ato, de caráter religioso, embora existam obras de temática profana e satírica, mas sempre com preocupações moralizantes. A princípio, eram representadas em solenidades cristãs. Com o surgimento de grandes autores, o "auto" transcendeu essa finalidade, tornando-se gênero autônomo e de alto significado literário.

 

Moralidade: (dramas litúrgicos) debatiam a questão religiosa sob a ótica do comportamento e do destino final do homem. Tinha um caráter mais intelectual do que os mistérios e os milagres. Em vez de utilizar as personagens da Bíblicas, servia-se de personagens alegóricas como a Luxúria, a Avareza, a Esperança, a Guerra, entre outras. Essas figuras personificavam defeitos, virtudes, acontecimentos, etc., com a intenção de transmitir lições morais e religiosas, e até, por vezes, políticas. Raramente continham sátiras ou pretendiam levantar polêmicas. Mais do que todos os outros tipos de teatro, a moralidade pode ser considerada um grande passo em direção ao teatro moderno.

 

Commedia dell'arte: uma forma popular de representação teatral marcada pela improvisação, comicidade e emprego de personagens fixos. A Sottie (de sot = bobo) era uma breve sátira (construtiva), geralmente de índole política, encenada por personagens simbólicos: o parvo (tolos), o truão (vagabundo ou palhaço) ou o bobo. Às vezes os tipos tinham autenticidade e eram até psicologicamente bem construídos.

 

Farsa: também uma sátira, mas diferentes das sottie, porque não tinha intentos políticos. Somente representava os defeitos, as fraquezas e os acontecimentos cômicos da vida das pessoas. Histórias de clérigos e feiras eram muitas vezes aproveitadas para pequenas farsas. Era um espetáculo teatral cem por cento popular.

 

Teatros com música: Teatro Nô ( tradicional forma japonesa baseada na narração de antigas histórias por meio de movimentos e danças). Teatro Kabuki (popular japonês, caracterizado pela combinação de música, dança, mímica, encenação e figurinos). Teatro de Revista (gênero que combina números de música, dança e humor. Muito popular no Brasil nas décadas de 1930 e 1940).